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Zona (herpes zóster): como a Medicina Chinesa pode ajudar

Descubra como a MTC atua de forma complementar ao tratamento médico convencional
2 de março de 2026 por
Zona (herpes zóster): como a Medicina Chinesa pode ajudar
Maria Bentes
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O que é a zona?

O herpes zóster, também conhecido como zona, é uma infeção viral que resulta da reativação do mesmo vírus que causa a varicela, o vírus varicela-zoster. Mesmo depois de curada a infeção primária (varicela), o vírus permanece latente na raiz dorsal dos gânglios sensoriais ou dos nervos cranianos.

Geralmente a reativação ocorre em pessoas idosas ou nas pessoas imunocomprometidas (pessoas que têm o sistema imunitário mais debilitado).

 

Quais são os sintomas?

Poucos dias antes do desenvolvimento da zona, a maioria das pessoas sente:

  • Dor
  • Sensação de formigueiro
  • Prurido

Esses sintomas manifestam-se numa faixa de pele (dermátomo), num dos lados do corpo, mais frequentemente no tronco, pescoço ou rosto.

Posteriormente, essa faixa de pele torna-se vermelha e formam-se vesículas (bolhas pequenas, cheias de líquido). A região afetada torna-se muito sensível a qualquer estímulo e a pessoa sente muita dor.

Cerca de alguns dias após terem surgido, as vesículas tendem a secar e a formar crostas. Porém, em alguns casos, a área afetada pode deixar cicatrizes.

 

Quais as complicações provocadas pela zona?

A neuralgia pós-herpética é uma complicação que pode surgir após um episódio de herpes zóster.

Esta condição manifesta-se após o desaparecimento das erupções cutâneas e causa dor neuropática crónica que pode durar meses ou anos. Pode ocorrer entre 5% a 30% das pessoas afetadas (1), sendo mais comum em idosos e em pessoas imunocomprometidas.

Os sintomas manifestam-se na região afetada pelo herpes zóster e incluem:

  • Dor contínua e profunda
  • Sensação de queimação ou ardor
  • Sensibilidade extrema ao toque
  • Prurido
  • Dormência

A dor neuropática persistente da neuralgia pós-herpética tem impacto na saúde física, psicológica, social e funcional, estando por exemplo, associada a insónia, depressão, ansiedade, limitação da mobilidade e diminuição da qualidade de vida (2).

Se o herpes zóster afetar o ramo oftálmico do nervo trigémeo (nervo que inerva o olho), este pode ficar infetado. Esta infeção pode ser perigosa, uma vez que pode gerar complicações oculares, tais como, cicatrizes na córnea, glaucoma, inflamações em diferentes estruturas do olho e perda de visão.

Para além da neuralgia pós-herpética e das complicações oculares, podem também existir complicações cutâneas, viscerais e neurológicas, que são mais raras.

 

Qual é o tratamento médico?

O início precoce do tratamento, idealmente nas primeiras 72 horas após o aparecimento dos sintomas é fundamental, uma vez que pode reduzir a gravidade dos sintomas e diminuir o risco de desenvolver neuralgia pós-herpética e outras complicações.

O tratamento consiste na administração de fármacos antivirais, analgésicos ou anti-inflamatórios.

 

Existe forma de prevenir?

Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) recomendam a vacinação contra o herpes zóster para todos os adultos com idade igual ou superior a 50 anos (3).

 

Como pode a Medicina Chinesa contribuir para a melhoria desta condição?

A acupuntura e técnicas associadas (moxabustão, eletroacupuntura, agulha de fogo, sangria) e a fitoterapia são utilizadas no tratamento da zona e neuralgia pós-herpética.

Na fase aguda do herpes zóster, a acupuntura e técnicas associadas podem acelerar a redução da dor e a cicatrização das lesões (4).

Alguns estudos sugerem que a combinação da toma de fármacos antivirais com acupuntura proporciona melhor controlo da dor, uma menor formação de novas vesículas e uma melhor recuperação funcional, comparativamente com a toma isolada de medicamentos antivirais (5,6).

Também em comparação com o uso isolado de fármacos antivirais, a combinação de determinadas fórmulas fitoterápicas e fármacos antivirais pode acelerar a formação de crostas, reduzir a intensidade da dor e diminuir a incidência de neuralgia pós-herpética (7).

No caso da neuralgia pós-herpética, as revisões sistemáticas e meta‑análises indicam que a acupuntura pode contribuir para a redução da dor (8,9).

 

Quais os benefícios da abordagem integrativa no tratamento da zona e neuralgia pós-herpética?

A abordagem da Medicina Chinesa é complementar à abordagem da Medicina Convencional, uma vez que (10):

  • As plantas medicinais podem apoiar o sistema imunitário a eliminar o vírus e a reduzir a inflamação, enquanto os medicamentos antivirais reduzem a multiplicação do vírus
  • A acupuntura ajuda o cérebro a modular a dor e a diminuir a sua amplificação, enquanto os analgésicos reduzem a sensibilidade dos nervos na zona afetada
  • Algumas ervas com efeito neuroprotetor podem apoiar a regeneração nervosa, complementando o controlo sintomático feito pelos medicamentos convencionais

Esta complementaridade pode ser muito relevante nos pacientes idosos ou com maior complexidade clínica, uma vez que optar por apenas uma das abordagens pode proporcionar alívio incompleto.

 

Que recomendações dou aos pacientes com zona?

Em caso de suspeita de ter herpes zóster recomendo que:

  • Consulte um médico rapidamente e inicie o tratamento antiviral, idealmente nas primeiras 72h
  • Inicie rapidamente os tratamentos de acupuntura, que numa fase inicial poderão ser realizados duas a três vezes por semana ou até diariamente, dependendo da intensidade da dor
  • Não consuma álcool nem alimentos picantes, fritos e gordurosos

Não se esqueça, os resultados são mais eficazes se iniciar os tratamentos o mais cedo possível.

 

Referências bibliográficas:

1. Kawai, K., Gebremeskel, B. G., & Acosta, C. J. (2014). Systematic review of incidence and complications of herpes zoster: towards a global perspective. BMJ Open, 4(6), e004833–e004833. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2014-004833

2. Johnson, R. W., Bouhassira, D., Kassianos, G., Leplège, A., Schmader, K. E., & Weinke, T. (2010). The impact of herpes zoster and post-herpetic neuralgia on quality-of-life. BMC Medicine, 8, 37. https://doi.org/10.1186/1741-7015-8-37

3. Duque, S., Marinho, A., Almeida, P., Pereira, R. M., & Buzaco, R. (2023). Recomendações para a Vacinação contra o Herpes Zoster: Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Medicina Interna, 30(3), 180–191. https://doi.org/10.24950/rspmi.1886

4. Liang, X., Chen, X., Li, X., Yang, S., Wang, S., Ma, D., Guo, M., & Zhang, H. (2024). Efficacy and safety of therapies related to acupuncture for acute herpes zoster: A PRISMA systematic review and network meta-analysis. Medicine, 103(20), e38006. https://doi.org/10.1097/md.0000000000038006

5. Zhang, Y., Jing, M., Wang, L., Liang, Z., Xu, Q., Li, Q., & Li, S. (2024). Combining fire needle plus cupping with famciclovir and gabapentin in the treatment of acute herpes zoster: a revised intervention approach. Archives of Dermatological Research, 317(1). https://doi.org/10.1007/s00403-024-03628-3

6. PANG, J., YIN, H.-N., SUN, Z.-R., & XIA, K.-P. (2023). Acute herpes zoster treated with surrounding fire needling combined with electroacupuncture at Jiājĭ (夹脊EX-B2): A randomized controlled trial: 火针围刺联合夹脊电针治疗急性期带状疱疹:随机对照试验. World Journal of Acupuncture - Moxibustion, 33(2), 111–117. https://doi.org/10.1016/j.wjam.2023.02.002

7. Wang, X., Wu, L., Hou, Y., Ding, S., Wang, S., Zhang, Y., & Zhang, G. (2021). Efficacy and safety of Chinese herbal medicine longdanxiegan decoction combined with val-acyclovir in herpes zoster: A systematic review and mate-analysis. Journal of Clinical Images and Medical Case Reports, 2(3). https://doi.org/10.52768/2766-7820/1156

8. Wang, Y., Li, W., Peng, W., Zhou, J., & Liu, Z. (2018). Acupuncture for postherpetic neuralgia. Medicine, 97(34), e11986. https://doi.org/10.1097/md.0000000000011986

9. Pei, W., Zeng, J., Lu, L., Lin, G., & Ruan, J. (2019). Is acupuncture an effective postherpetic neuralgia treatment? A systematic review and meta-analysis. Journal of Pain Research, Volume 12, 2155–2165. https://doi.org/10.2147/jpr.s199950

10. Li, L., Xu, J., Al-Danakh, A., & Xing, Q. (2026). Integrated Western and Traditional Chinese Medicine Approaches for Herpes Zoster and Post-Herpetic Neuralgia: A Narrative Review. Drug Design, Development and Therapy, Volume 20, 1–24. https://doi.org/10.2147/dddt.s570847

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Maria Bentes 2 de março de 2026
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